way2themes

Últimas Postagens

Mostrando postagens com marcador Resenhas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Resenhas. Mostrar todas as postagens

     
Já faz muito tempo! A última vez que publiquei algo nesse blog foi em 2016 e foi uma crítica a BATMAN v. SUPERMAN. Três anos depois, eu procurava algo que me fizesse sair da aposentadoria. E então veio Bird Box, o mais novo fenômeno da Netflix... Bom, pode ser uma boa ideia... mas antes eu preciso ler o livro. E ver o filme... e fazer um SUPER POST COMPARAÇÃO! E aqui estamos!!

Eu terminei de ler o livro HOJE. Eu terminei de assistir ao filme NESSE MOMENTO! Então, não querendo alimentar meu próprio ego, mas acho que sou a pessoa mais preparada para falar sobre Bird Box que existe!
   
"Ah, mas tem o autor do livro..." 
NÃO, SOU EU AINDA!

"E o roteirista do filme?" 
Se ele tivesse lido o livro, eu nem ia precisar fazer textão!

Conclusão: Eu ainda sou o mais preparado!

Então vamos ao que importa:

O FILME

Vamos falar um pouco das partes que o filme acertou e errou! Deixaremos pra falar da adaptação um pouco mais tarde. O longa, dirigido por Susanne Bier (que também foi responsável por uma das minhas minisséries favoritas dos últimos anos, The Night Manager), tem bastante cuidado na hora de transitar entre os diferentes tempos e climas da história. Poderia ter sido mais escuro em tonalidade e mais pesado para um público adulto. Falando de um filme sobre pessoas que precisam da escuridão para sobreviverem, ele, ainda assim, é extremamente claro. 

O elenco é um grande acerto em todas as partes. Sandra Bullock (ganhadora do Oscar por Um Sonho Possível) talvez seja a menos dedicada. O filme dá todas as chances pra ela mostrar suas habilidades de atuação, mas elas não são aproveitadas. O que falta em atuação, ela compensa em carisma. Sandra Bullock nunca foi conhecida como ótima atriz, mas é simplesmente cativante de assistir. Sua atuação só não é o bastante quando comparada com outros atores em cena, muito mais interessados.

Sarah Paulson simplesmente domina o filme em suas poucas cenas! É muito claro que estamos vendo uma futura Oscar Winner. Pode não ser nessa década, mas dos anos 20 não passa! John Malkovich e Jacki Weaver brilham em seus papeis, apesar de terem pouquíssimo para trabalhar... principalmente Weaver. Trevante Rhodes é o ator que mais aproveita as muitas chances que tem. Se antes era apenas o ator de Moonlight (filme ganhador do Oscar de 2017), agora ele é um astro de blockbuster e podemos esperar muitos filmes nos próximos anos.
  











Esse filme sofre muito por ter sido lançado no mesmo ano que Um Lugar Silencioso (A Quiet Place, estrelando John Krasinski e Emily Blunt). O que Um Lugar Silencioso soube fazer magnificamente bem é criar uma atmosfera de perigo até para quem só assistia. No cinema (e posso dizer isso depois de ter pago três vezes para assistir) até os grupos que geralmente conversam no fundo faziam completo silêncio. Apesar da atmosfera de terror ser bem real para os personagens de BIRD BOX, essa atmosfera não nos é passada de volta. 

Temos um bom filme, divertido, que poderia ser muito mais pesado e doloroso de assistir... mas que oferece o famoso "entretenimento na medida certa". Só consigo imaginar como a repercussão seria se o filme fosse um pouco mais gráfico. Isso faria as pessoas gostarem mais do filme ou faria ele ser ignorado como outros ótimos filmes já foram? Será que a formula para um sucesso extraordinário está em não ir longe demais?

LIVRO vs. FILME 


Ok. Aqui a coisa complica. SPOILERS ESTÃO VINDO!!

Já gostaria de começar dizendo que são artes completamente diferentes. Nem tudo que está num livro deveria ir para o filme, nem teríamos tempo para isso! Mas como o filme inventa muita coisa que nunca esteve no livro, eles tinham tempo para tentar serem mais fieis. O livro foi o primeiro escrito por Josh Malerman, e é um romance de estreia muito melhor do que a maioria dos autores pode se orgulhar. 

O maior acerto do livro é a criação da atmosfera, que eu estava falando antes. O livro cria um mundo tão tenebroso e violento que você gostaria de ler vendado! E isso não acaba hora nenhuma. Até quando Malorie está em segurança no retiro, ela tem medo do que pode acontecer. Então todas as vezes que os personagens do filme tiravam as vendas por qualquer motivo que fosse, era muito irritante. Qualquer ambiente ligeiramente fechado já era motivo para tirarem as vendas. No livro, o único lugar seguro para tirar as vendas era a casa, extremamente mais escura e bem menor do que a desse filme. 

O sentimento de claustrofobia em ficar trancado num ambiente pequeno demais para muita gente, com pouca comida e água, enquanto criaturas estão a espreita do lado de fora... esse sentimento não está na adaptação da Netflix. Alguns dos momentos mais tensos do livro são com a Malorie esperando Tom, a única pessoa em quem ela realmente confia, que está fora de casa enquanto ela imagina os mais diversos cenários onde tudo dá errado. É quando a paranoia bate nela e no leitor. Tudo é uma ameaça, inclusive as pessoas da casa, aquelas com quem ela está trancada 24hrs por dia. 


Quando o filme escolhe fazer com que Malorie seja uma heroína de ação com uma espingarda na mão, todo o medo que a gente tem que compartilhar com ela deixa de existir. Todos os personagens do filme estão preparados demais para esse "apocalipse". Comida nunca é algo realmente discutido, só mencionado... Quando vira preocupação, eles simplesmente vão no mercado... e tiram as vendas lá. Soluções e teorias sobre o mundo do lado de fora também são deixadas de lado. Quando eles tem vontade de sair da casa, eles simplesmente saem, sem o desespero que os aflige no livro. 

A maior parte da jornada da protagonista é perdida. Ela nunca esteve realmente sozinha. Quando a irmã morre, ela imediatamente já está dentro da casa onde ela vai passar o resto de sua história. Quando todo mundo morre por causa do Gary no livro, o filme fez questão de deixar o Tom vivo para ter um romance desnecessário e nada desenvolvido. Toda a força da Malorie vem de criar suas crianças sem ajuda nenhuma, preparando-as para o dia que precisariam ir para o rio. A ligação do Rick e do refúgio acontece no dia em que ela perde todo mundo. Ela passa quatro anos treinando as crianças para poderem ajudar na jornada. Desde recém-nascidos treinando a acordar com os olhos fechados. Quando acordavam com olhos abertos, apanhavam. Quando fechados, eram alimentados. Condicionados desde que começaram a existir. 

O clímax do livro acontece durante o parto de Malorie e Olympia. Sim, a mesma cena que não dura quase nada no filme. Greg tortura Malorie e Olympia psicologicamente enquanto todo mundo está morrendo no andar debaixo (por sinal, Greg entrar foi votação da casa inteira. Jogarem a culpa só na Olympia foi muito sujo). Malorie é obrigada a fazer o próprio parto, cortar o próprio cordão umbilical e tampar os olhos do seu filho enquanto as criaturas já estão até dentro da casa. Tudo isso com os olhos fechados, já que (diferente do filme) ninguém abre os olhos sem ter um ótimo motivo para isso! Isso já nos capítulos finais do livro. O filme coloca isso na metade... então parece que depois dessa cena, todo o resto é bem menos importante. A gente já viu os limites da loucura humana... o perigo deixa de ser as criaturas.


Nem todas as mudanças foram negativas. A decisão de não usar animais no filme foi ótima! Apesar dos cachorros em Caixa de Pássaros terem um papel muito importante, é melhor do que colocá-los apenas pra morrer em mais uma apelação para o emocional. Já que nada tem a profundidade que devia ter, é melhor deixar esse clichê para lá! O uso de GPS no carro é algo genial que o livro simplesmente esqueceu que existia... Mas todas as outras mudanças são negativas. 

No livro, o fato dela não ter nomeado as crianças faz muito mais sentido. É um mundo solitário, apenas treinados para sobreviver. No filme, essas crianças cresceram em "família". Tiveram um alicerce maior do que apenas a sobrevivência. Não há motivos para elas não terem nome. O momento em que as crianças ganham os seus nomes foi muito bem adaptado e a atuação da menininha (Vivien Lyra Blair, que eu espero que tenha uma longa carreira) foi perfeita ao ser chamada pela primeira vez de Olympia... uma inocência que estava bem descrita no livro!! 

  CONCLUINDO


Eu poderia passar mais alguns parágrafos falando sobre como a adaptação poderia ter sido melhor e mais fiel... mas a verdade é que existem centenas de maneiras de fazer um bom filme sem ser necessariamente fiel (Stanley Kubrick sabe do que eu tô falando). Bird Box não é nada fiel e, ainda assim, é um filme divertido de assistir. É um filme com conceitos originais, mas poderia ser bem mais original se seguisse o livro e não caísse em algumas coisas feitas de maneira bem mais original por Um Lugar Silencioso (como o sacrifício do pai pela família). Caixa de Pássaros, o livro, também não é muito bem escrito, mas a história é tão boa e criativamente conduzida que a gente releva certos clichês e entende que um romance de estreia deve ser usado para adquirir experiência. 

O importante é que o filme é um dos mais assistidos da história da Netflix, apresentou a Sandra Bullock para uma geração inteira que nunca assistiu Miss Simpatia ou Velocidade Máxima... E, principalmente, deu dinheiro para a Netflix fazer uns 50 filmes mais baratos!! Que venham mais adaptações. 



E essa Mid Season não para de surpreender. Ta melhor que a Fall do ano passado até. Hoje o Wasted Time trás pra você a PARTE 3 do nosso especial para essa época tão divertida para os seriadores... ou não. Stalkers digitais, zumbis ajudando a policia e mulheres determinadas mostrando que idade não é documento quando se fala em trabalho duro. Tudo isso você só encontra na Mid Season 2015!

Não gosto de falar só das estreias da semana, então sempre misturo uma série do começo da Mid com uma série da semana passada, principalmente para divulgar séries diferentes para públicos diferentes. Nós sabemos que cabe mais uma série ai na sua grade, então já pega um caderninho e anota as sugestões a seguir!!


Eye Candy, o novo suspense da MTV, foi denominado por muitos na época de sua estreia como a nova Pretty Little Liars! 90% das pessoas já sabem, isso deixou de ser um elogio considerando os rumos que a série das mentirosas pequeninas tomou. Pois venho dizer que o piloto de Eye Candy ja supera muito as últimas temporadas de PLL. É uma série completamente decidida, ela sabe pra onde ta indo e não ta aqui só pra enrolar por anos. Sua primeira temporada ja foi exibida inteira, e uma renovação ainda esta pendente.

Eye Candy conta a história de uma hacker que é convencida por sua amiga a entrar num site de relacionamentos. Acontece que um dos interessados é aparentemente um serial killer, pronto para fazer de tudo. Ela então se une a seus amigos para descobrir quem é seu stalker digital, na expectativa de também encontrar sua irmã, que foi sequestrada três anos antes! Será que o sequestro e os assassinatos de seu stalker estão conectados?

Até o momento, eu só assisti o piloto da série. O piloto é suficiente nesse caso para te prender a série. É arriscado, meticuloso e muito surpreendente. Tem uma maneira muito única de se desenvolver, mesmo que levemente relembrando Pretty Little Liars. Se continuar com temporadas curtas e com episódios de qualidade, ela pode criar uma reputação por si própria, sem comparações. Tudo depende do resto dos episódios e da renovação ser oficializada. Mas, mesmo se for cancelada, vale a pena ver esse piloto só para começar a ter uma noção melhor do que pode ser explorado num piloto. Não é só em Season Finale que grandes choques podem acontecer. Torço por um longo futuro!



Vou começar com uma confissão. Não vai parecer algo bom, mas é algo que eu preciso admitir antes de falar de iZombie. Eu tenho um enorme preconceito com a CW! Mesmo quando ela faz algo de qualidade, eu ainda fico com um pé atrás sobre que rumo esse algo vai tomar. De um tempo pra cá, pelo menos, séries como Arrow, The Flash e The 100 tem sido muito elogiadas. Além disso, Jane The Virgin levou até Globo de Ouro pra casa ano passado. Aparentemente, eles começaram a investir mais no que exibem, mas eu ainda tenho o pé atrás em começar qualquer série do canal. Se eu puder evitar, eu evito... Mas iZombie é uma série inevitável!

Liv é uma estudante de medicina que estava no lugar errado na hora errada... e agora é um zumbi. Diferente do que se espera, ela consegue administrar sua fome trabalhando num necrotério policial, ajudando a resolver casos. Quando se alimenta do cérebro de uma pessoa morta, ela absorve as memórias dessa pessoa também (junto com algumas habilidades). Para esconder seu segredo, ela finge ser vidente e ajuda um policial tentando construir uma carreira.

Com humor e ação na medida certa, a série é empolgante e divertida. A protagonista é carismática, a série é cheia de caras conhecidas (como a Aly Michalka, de Hellcats), e seu caso inicial é muito interessante. Não é tão procedural quando parecia ser. Ela tem espaço pra desenvolver tanto os dramas contínuos quanto os casos da semana, e isso ja é uma enorme vantagem pra série. Eu to bem mais surpreso com a qualidade da série do que eu quero admitir. Zumbi resolvendo crimes não parece algo muito inteligente, mas a série não se leva totalmente a sério, então suas ironias podem ser aceitas facilmente pelo público. O visual meio "HQ" de algumas cenas deixa claro que é uma ficção, e que não quer tentar ser realista, mas que também não vai se perder no absurdo. Veremos no futuro o que a série reserva...




Fazer comédia inteligente é mais difícil do que parece. Num mundo de sitcoms e exageros, até um drama irônico faz rir mais do que muitas comédias por ai. Mas então vem Younger, e, com uma temática original, consegue fazer rir sem qualquer esforço. Uma série tão simples em conceito, mas que abre um leque tão grande de situações que poderia durar por anos sem perder a essência. Trazendo de volta uma das queridinhas do público, Hilary Duff, e introduzindo Sutton Foster (a Fiona, de Shrek The Musical). Younger é com certeza a comédia com a qual estou mais animado.

A série conta a história de Liza, uma mulher de quarenta anos, mãe, divorciada, e que simplesmente não consegue encontrar empregos para pessoas de sua idade. Depois do elogio de um cara que ela conhece num bar, ela e sua amiga Maggie decidem que, para conseguir um emprego num mundo jovem, você tem que ser jovem também. Liza muda totalmente seu visual, se atualiza sobre o mundo e assume uma nova idade: 26 anos! Como diz o slogan da série, "só é mentira se descobrirem a verdade".

Younger é o típo de série que vicia completamente pela qualidade do roteiro e pelo carisma dos personagens. Até o momento, eu ja vi os dois episódios da estreia, e eles fornecem a mesma sensação gostosa de assistir sem preocupações. Ao mesmo tempo que vemos Liza sofrendo pra fazer coisas do nosso dia a dia, como criar uma conta no Twitter, vemos ela abraçando totalmente a sua nova juventude adquirida e sua nova chance de mostrar seu valor. Tem tanto espaço para crescer que eu mal posso esperar pelo próximo episódio essa semana. Comece a assistir o quanto antes!

Assistiu alguma das três séries? Gostou? Odiou?
Se ainda não assistiu, planeja assistir alguma?
Deixe seu comentário :)
E curta a página do Facebook para mais 


Recentemente, o sucesso da obra de Gayle Forman tomou a internet toda. Num fenômeno que era antes pertencente à A Culpa é Das Estrelas, agora pertence a uma obra bem mais verdadeira e sensível. Não podia ficar de fora e aqui então estão meus pensamentos sobre Se Eu Ficar, e, é claro, sem qualquer spoiler sério.

"Se Eu Ficar" conta a história de Mia, uma garota que entra em coma depois de um trauma enorme e agora tem que escolher se deseja continuar a viver mesmo depois de tudo que aconteceu ou se desiste e vai para o desconhecido livre da dor que lhe espera se acordar. É uma história simples, mas a autora a desenvolve de maneira tão intima que em pouco tempo o dilema de Mia é o seu dilema também.

A cada página, vemos ela lutando consigo mesma pra tomar a decisão mais difícil que ja tomou antes. Tanta gente ainda depende dela, tanto ainda pra ser realizado, mas a paz é tentadora demais para ser rejeitada facilmente. Todos os personagens influenciam diretamente nessa escolha, seja encorajando ela a fazer o que realmente quer ou implorando a ela para voltar. 

Os personagens são carismáticos e fáceis de se apegar, esse é sempre o segredo de um romance adolescente de sucesso. Uma boa protagonista é fácil de criar (por mais que muitos falhem), mas bons coadjuvantes é um desafio. E bem cumprido nesse livro, desde Adam (o namorado de Mia que é definitivamente quem mais sofre durante o livro) até as enfermeiras, cada uma com sua particularidade que torna o livro especial.


Quando você mergulha na história é praticamente impossível largar o livro. As descrições são acuradas, mas nada exagerado, mantendo o tom jovem do livro até nos momentos mais pesados. É incrível o quão dentro da história é possível estar quando o momento da escolha finalmente chega. Deixará algumas pessoas com o coração apertado até o último segundo!!

Enfim, quando falamos de livros temos que tomar muito mais cuidado para não revelarmos demais sobre ele, porque eu imagino que você só queira saber se deve ou não ler, ou, se já leu, quer saber se sua opinião bate com a escrita aqui. De qualquer jeito, revelações não são bem vindas em nenhum dos casos. 


Então termino esse texto por aqui com a recomendação que vocês vieram aqui para ler: O livro é recomendado para qualquer pessoa interessada em grandes emoções. É um livro humano e simples com personagens humanos e simples, mas que têm que lidar com mais do que jamais imaginariam ter. 

Se Eu Ficar é um grande livro e que, se foi bem adaptado, deve ser um ótimo filme também. A adaptação eu vou ter que demorar um pouco para conferir, mas tá nos planos. Quando assistir, vai ter crítica do filme aqui no blog também!!


O que achou do Livro? Gostou? Odiou?
Se ainda não leu, ficou com vontade depois do texto?
Deixe seu comentário :)
E curta a página do Facebook para mais WASTED TIME!

"Annie era louca, mas ele precisava dela.
Ah, eu realmente estou na merda, pensou ele e encarou o teto sem ver nada realmente enquanto as gotas de suor começavam a brotar em sua testa."

Recentemente, eu to numa onda completamente Kinguiana (que palavra horrível, mas você entendeu). Tudo que to lendo é do Stephen King. Na verdade, to tão viciado em sua escrita que mesmo quando to parado num livro dele que não ta rendendo, eu pego outro dele pra ler no lugar enquanto espero a vontade de voltar pro anterior. E quando acabo, quero outro dele. Sua escrita é simplesmente fascinante, as falas são muito bem escritas e humanas, as descrições são realistas mas não enroladas, enfim, eu não tenho nada negativo a dizer (até agora) sobre a sua maneira de escrever. 

O livro do momento é Misery, traduzido anteriormente no Brasil como Angústia, e mais recentemente relançado pela editora Suma de Letras com o (desnecessário, mas aceitável) subtítulo Louca Obsessão, em menção ao nome da adaptação cinematográfica do romance feita em 1990 e estrelada por Kathy Bates e James Caan. A edição da Suma é de uma beleza de tirar o ar quando se, finalmente, pega o livro nas mãos. E a formatação dentro é tão boa quanto o exterior. As partes do livro escritas pelo Paul Sheldon na máquina de escrever sem o N são as melhores nesse quesito. As letras escritas a mão dão um visual muito bom e fiel a narrativa. Você se sente muito mais parte da história. Tudo isso somado com a tradução de Elton Mesquita, que é impecável, cria um livro para guardar para sempre e reler diversas vezes.

Vamos a uma breve sinopse (sem spoilers graves, não precisa se preocupar):
"Misery" conta a história do autor Paul Sheldon. um homem famoso por escrever a saga de Misery Chastain, mas que resolve matá-la em seu último livro publicado para poder finalmente escrever sobre outras coisas. Um tempo passa, Paul termina Carros Velozes, sua obra prima e primeiro livro em muito tempo sem sua famosa protagonista, mas acaba sofrendo um acidente de transito durante uma nevasca. Paul é resgatado por Annie Wilkes, uma ex-enfermeira e fã das histórias de Misery. Mas Annie é completamente louca e imprevisível, e o autor vai descobrindo aos poucos que quando ela descobrir que sua personagem favorita está morta... ele estará enrascado.
Stephen King tem uma maneira única de descrever dor. É tão gráfico e tão doloroso que atravessa as páginas do livro e te atinge. As descrições são tão precisas, tornam tudo fácil de visualizar, mas mesmo assim não são enroladas. Tem alguns livros que são três páginas pra dizer que a cortina estava aberta. Stephen não precisa disso, descreve tudo da maneira mais visual possível e em poucas linhas. Puro talento literário. Cada livro que leio dele fico mais fascinado com sua capacidade de pegar uma ideia tão simples e transformá-la num romance capaz de emocionar, de assustar e de surpreender a cada capítulo.

Em Misery, você se importa muito facilmente com o Paul e começa a se colocar no lugar dele. Ele nunca gostou de escrever sobre Misery Chastain, e agora é obrigado a sofrer as maiores dores e humilhações de sua vida por causa dela. E, ao mesmo tempo que escreve pra continuar vivo, ele começa a perceber que está escrevendo porque está gostando também. Aos poucos, enquanto a loucura de Annie começa a fazer sentido para Paul, o leitor não sabe mais o que esperar no final. Acho que essa é a melhor parte da narrativa de King: o inesperado. Muitos livros você começa e já sabe como vai acabar. Nesse, só nas ultimas 30 páginas, tem diversas e diversas reviravoltas. Dá calafrios a cada susto.

Enquanto Paul sofre, Annie causa o sofrimento. Mas você começa a se importar com ela também. Claro que você sabe que ela merece uma morte triste e dolorosa, mas é o que você realmente quer que aconteça? Annie é uma mulher perturbada que ja teve muitos problemas na vida e hoje vive isolada de tudo e todos, buscando consolo nos livros de Misery. Quando finalmente tem contato com alguém que lhe entregou esperança durante muitos anos, talvez até mesmo tendo salvado sua vida algumas vezes, é claro que ela gostaria que esse contato jamais acabasse. E é claro que ela gostaria de "ajudá-lo" e "torná-lo uma pessoa melhor". Os objetivos são nobres enquanto as maneiras são sórdidas. Compreensível, mas odiosa. Annie Wilkes é bem mais complexa do que parece. 
A metalinguagem do livro não só é fascinante quando podemos ler o livro que Paul escreve para Annie, O Retorno de Misery, mas também quando Paul começa a explicar seus processos para poder criar a história e desenvolvê-la de maneira que não fosse "trapaça" para Annie Wilkes. É um autor genial escrevendo sobre outro autor genial tentando escrever a força para uma mulher psicótica. Então é algo muito incrível de se ler. Toda hora, um pouco do processo criativo de Paul Sheldon é descrito e, dessa maneira, podemos entender melhor quem ele era e como era o trabalho dele antes de tudo isso acontecer.

Com um desenvolvimento perfeito e uma conclusão que pode ter sido a melhor que eu ja li, Misery acaba com glória. Com certeza leria uma versão mais longa desse livro, pois as 326 páginas não são suficientes pra matar a vontade de ler essa história. Tanto a história em si, quanto a história dentro da história (por mais que saibamos muito pouco do enredo dela), são ótimas e não poderiam ter saído da mente de outra pessoa. Pelo menos Stephen King tem mais algumas dezenas de livros para serem lidos...

Misery está RECOMENDADO. Se fosse você, pegaria sua cópia agora mesmo.

Não esqueça de curtir nossa PÁGINA NO FACEBOOK para mais indicações.
Até a próxima, pessoal o/


"Mary começou a gritar. A cortina se abriu mais e uma mão apareceu, empunhando uma faca de açougueiro." Assim começa a cena que iria assombrar milhares e milhares de pessoas pelo resto de suas vidas. Uma das cenas mais marcantes do cinema mundial! Mas antes de haver o filme, antes de haver toda a polêmica, antes de Hitchcock filmar Psicose, houve Robert Bloch...

Em 1959, Robert Bloch publica o livro que um ano depois seria a fonte de um dos maiores clássicos do diretor Alfred Hitchcock! Considerado uma pérola do suspense americano, o livro foi lançado em 1959 no Brasil pela primeira e em 1964 pela última vez... até o ano passado, quando a Darkside Books finalmente o relançou em duas edições incríveis, uma capa dura e uma brochura. 

Tive o prazer de ganhar a edição capa dura de presente e posso dizer que é um dos livros mais bonitos que eu tenho em minha estante. Mas além da beleza da edição, que mais uma vez tenho que dizer, ela é muito bela, o conteúdo é um show a parte. A nova tradução de Anabela Paiva é perfeita e não consegui encontrar um defeito sequer. Se percebe que é uma edição feita com muito carinho pela editora, e não é por menos que ela só cresce. 

Mas voltando ao foco, Robert Bloch é um escritor fantástico, e na sua simplicidade de ideia e de descrição, conseguiu manter o suspense até a parte final do livro. Pra quem conhece a história, você sabe do que eu estou falando. Se você não conhece, não vai ser aqui que você vai ler sobre, pois prezo muito para que o final de Psicose seja surpresa pra todas as pessoas que assistem o filme ou leem o livro. Hitchcock chegou a comprar todas as edições do livro disponíveis nos EUA para que o segredo do final de seu filme fosse mantido. 


Sem mais delongas, vamos para a sinopse:
"Mary Crane é uma secretária que rouba 40 mil dólares da imobiliária onde trabalha para se casar e começar uma nova vida. Durante a fuga à carro, ela enfrenta uma forte tempestade, erra o caminho e chega em um velho hotel. O estabelecimento é administrado por um sujeito atencioso chamado Norman Bates, que nutre um forte respeito e temor por sua mãe. Mary decide passar a noite no local, sem saber o perigo que a cerca."



Como eu falo quase toda vez que posto uma sinopse aqui, ela não diz absolutamente nada sobre o quão bom o livro é na realidade. É superficial, e tudo isso que está escrito muda antes da página 60. É ai que está a genialidade desse autor que faz o que poucos autores tem coragem de fazer: muda completamente o rumo do seu trabalho antes que o leitor possa ter tempo de se acostumar com o que ta acontecendo. A imprevisibilidade do seu livro é algo que te deixa paranoico do segundo em que o livro começa ao que acaba. 

Quando comecei a ler, eu estava um tanto cético, mas também esperançoso. O primeiro porque eu realmente amo o filme e o trabalho de direção que Hitchcock fez foi tão perfeito que até hoje refilmagens e paródias são feitas. Simplesmente o trabalho de um gênio, e eu não achava que o livro poderia superar ou se igualar. E esperançoso porque eu raramente vejo um filme que é melhor que o livro que lhe deu origem, então as chances de erro quando o filme é tão bom assim são poucas. 

E, realmente, o livro mostra que o fruto não cai tão longe da arvore que o criou. O suspense é tão bem construído em cada página que eu fiquei 4 horas lendo sem perceber. É uma história fluida e cada revelação, cada peça do quebra-cabeça que nos é dada, coloca mais gasolina na leitura que vai acabar antes mesmo de você perceber. 

O livro tem duas sequências escritas por Robert Bloch: Psycho II (de 1982) e Psycho House (de 1990). Nenhum dos dois livros foi adaptado para o cinema, sendo Psycho II (filme de 1983) feito com uma história original de Tom Holland, roteirista do filme. Uma parte minha ainda torce para que os dois livros seguintes sejam lançados também pela Darkside aqui no Brasil, de preferencia o mais rápido possível. 


Até pra quem já conhece a revelação final de Psicose, a maneira que ela é escrita consegue te surpreender mais uma vez. Para os fãs do gênero, o livro é indispensável. Leitura obrigatória para todos que entendem o quanto é difícil para um livro sobreviver à passagem do tempo e continuar tão atual e surpreendente quanto era na época de seu lançamento. Psicose é o exemplo vivo (mais do que nunca) de que isso é possível.

NOTA: PERFEITO (pode ser influenciada pelo amor que ja mantenho pela história há muitos e muitos anos, mas acredito que quem ler o livro também irá concordar comigo.)

Mais informações sobre o livro na página da Darkside Books: PSICOSE - Limited Edition