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    "Eu não sou uma pessoa má... Só não tive sorte." - Flint Marko
  

    E chegamos no não-tão-amado terceiro filme do cabeça de teia. Aqui a missão era clara: subir o nível! Tivemos um filme adorado e outro filme extremamente aclamado. Pra onde ir agora? Seguir o caminho tão bem traçado até então? Ou fazer todo o possível pra entregar um espetáculo maior? A decisão tomada foi a errada e Sam Raimi tem total clareza de onde errou, o que torna mais fácil o trabalho que farei a seguir: botar fogo nos restos!
   

    Só lembrando que esse texto é o terceiro no meu objetivo de desmembrar a saga até o lançamento de Homem-Aranha: No Way Home. Um por dia! Então caso não tenha lido os outros, tem dois antes e quatro depois. Bora lá porque relembrar é viver!

 


    

    Começando com outra sinopse horrível tirada do Google:
    O relacionamento entre Peter Parker e Mary Jane parece estar dando certo, mas outros problemas começam a surgir. A roupa de Homem-Aranha torna-se preta e acaba controlando Peter - apesar de aumentar seus poderes, ela revela e amplia o lado obscuro de sua personalidade. Com isso, os vilões Venom e Homem-Areia tentam destruir o herói.
   

    Beleza. Vamos para o início. Esse filme já começa em um lugar bem diferente dos anteriores. Ao invés do herói quebrado (emocionalmente e financeiramente), temos aqui um Homem-Aranha no auge do seu sucesso. Namorando o amor da vida dele, sem os notáveis problemas financeiros, sendo amado por todos os cidadãos de NY. Você até pensaria que o Peter é rico agora se ainda não tivesse um senhorio cobrando aluguel atrasado. Fora a vibe "Seu Madruga", não tem nada no filme que mostre que nosso herói ainda sofre com os perrengues do dia-a-dia. 

    "Ah, mas já tivemos isso em dois filmes. Realmente precisava mostrar o quão quebrado o Peter é em um terceiro filme seguido?" Não necessariamente. Mas as características do Homem-Aranha que tornam ele agradável de acompanhar, que fazem o público se identificar com ele, são justamente as partes humanas. No momento que a gente entrega um extremo sucesso na mão dele, ele deixa de ser "empatizável". A personagem mais humana desse filme é a Mary Jane, mas chegaremos lá na hora certa.
 
             
    Já sabemos o que o Peter NÃO VAI SER nesse filme. Então o que ele é? A resposta simples é "um grande escroto", mas é mais complexo que isso. Sabemos que o simbionte alienígena tá na terra e, como dito pelo dr. Connors, ele "amplifica as características do hospedeiro", o que leva a entender que um Peter do bem seria só mais bondoso e não é isso que o filme quer. Qual a solução? Uma hora de Peter Parker com um ego gigantesco, com zero empatia e responsabilidade emocional, mesmo que isso não tenha NADA a ver com o Peter que a gente conhece, só para justificar o quanto essas características pioram após o simbionte grudar nele. Resumindo, não vamos só tirar tudo que fazia o personagem agradável, mas vamos substituir essas características por uma dose extra de babaquice. 

    Ok, acho que já tá claro que eu odeio o Peter nessa história. 

    Vamos falar sobre os vilões. Depois de três filmes construindo essa transformação, finalmente temos um novo Duende Verde. E eu realmente não sei se essa é uma opinião polêmica ou não, mas ele é a melhor coisa desse filme. Ele não tem espaço pra consertar o filme no meio de tanta bagunça, mas ele tenta. Ele tem uma ótima cena de ação logo no começo do filme, perde a memória (o que pode parecer meio novela mexicana, mas é fiel aos quadrinhos), volta a ser o melhor amigo do Peter, recupera a memória, volta a ser vilão, quase morre nas mãos do herói e ainda tem um arco de redenção. Digo sem peso na consciência que esse filme seria maravilhoso com o principal vilão sendo o Harry. 

 

   
    Eu gosto do Homem-Areia também. Flint Marko tem uma história que vale a pena contar, segue dentro dos padrões antigos de vilões pelas circunstâncias, ele cabe no filme. O grande problema é adequar a história dele ao resto das coisas que precisa acontecer. Ele precisa de um backstory que conecta ele ao assassinato do Tio Ben há anos, só pra justificar o ódio do Homem-Aranha pra, mais uma vez, dar mais motivos pro simbionte transformar ele em uma pessoa pior. 

   Eddie Brock eu simplesmente nem sei o que comentar. Talvez se começassem o desenvolvimento dele nesse filme e transformassem ele em Venom em outro, eu até podia gostar. Mas ele é insuportável do primeiro momento que entra em cena até o último. E não é como se ele fosse MAU. É antiético, com certeza. Talvez um pouco sem noção, mas nada que não merecesse um arco digno. É tão preguiçosa a construção dele que ele só serve pra ser oposição ao Peter como fotógrafo, depois oposição ao Peter como criatura com poderes aracnídeos e aí escolhe explodir com o simbionte. Tão bidimensional que até colocam ele pra dizer "eu gosto de ser mau, isso me faz feliz" apenas pra não se esforçarem em dar uma história pro coitado que seja DELE e não do Peter. 

    Eu tô convencido que o maior vilão desse filme é o próprio Peter. Então vamos falar da sua maior vítima: Mary Jane Watson. Uma construção de três filmes aqui. Bora para ANALISANDO MARY JANE WATSON!! Se preparem pro textão!

 


    
    No primeiro filme, ela só tem um sonho: SER ATRIZ DE TEATRO. Começa a trabalhar de garçonete em meio a audições com um chefe totalmente abusivo, andando de noite nas ruas perigosas da cidade pra conseguir realizar seu sonho. Ela tem um pai alcóolatra e agressivo, então sonha deixar tudo isso pra trás. 

    No segundo filme, ela finalmente tá trabalhando na área, mas aparentemente não é tão boa quanto gostaria de ser. Isso não é mencionado em palavras no filme, mas, nas duas vezes que a gente vê cenas da peça, ela tá perdendo o timing de suas falas por distrações na plateia (sendo ausência ou presença do Peter). Suponho que isso não seja algo tão fora do comum, até pela frustração do assistente de direção gritando a fala pra ela ou o ator completando a fala no meio pra ajudar. Parecem todos empenhados em fazer a peça dar certo APESAR da Mary Jane. 

    Chegamos no terceiro filme e ela tá cantando num musical da Broadway, dizendo que quer fazer isso pelo resto da vida dela, mas recebe só críticas negativas e é substituída. Todo o trauma de uma vida sendo menosprezada pelo pai vem à tona, mais pessoas dizendo que ela não é boa o suficiente pra ter o que sempre desejou. Fica bem entendido que o sonho dela acabou ali. Mas ela não pode contar isso pro namorado good vibes coach dela porque ele não consegue se colocar no lugar dela no meio da euforia de ser amado por uma cidade inteira. "Está triste? É fácil resolver: só escolher ser feliz!"  
  
    No meio disso tudo, o Peter ainda se vê no direito de beijar mocinhas bonitas de ponta cabeça por aí apenas pela publicidade, totalmente alheio de que está destruindo algo que era único. Mary Jane também tentou replicar o beijo no segundo filme, mas o Peter tinha rejeitado ela e ela estava com o noivo. Foi uma tentativa de substituir, mas foi uma ação honesta. Já o Peter simplesmente achou de bom gosto beijar outra mulher na frente da namorada como se não fosse nada. E tudo isso SEM O SIMBIONTE, só pra deixar claro que isso é o Peter agindo, não é a gosma alienígena contaminando seus pensamentos. 

    O que ela faz então? Busca abrigo em um amigo. E o momento do filme que eu menos perdoo o Sam Raimi por ter escrito é esse. Não por ser ruim, pelo contrário, a cena do Harry e da MJ cozinhando juntos, rindo juntos, dançando juntos, é a cena mais romântica da trilogia. É um momento de despreocupação que o Peter e ela nunca tiveram. 

 
    Ela tem dois momentos de extrema felicidade nesse filme. 
    O primeiro é após sua estreia na Broadway, o que a gente sabe que não vai acontecer mais. 
    O segundo é com o Harry. 
   A parte revoltante é saber que não é uma cena relevante pra trama. Mary Jane não vai ter que se perguntar sobre os seus sentimentos, sobre o que realmente busca em um companheiro, porque no tempo entre ela sair do Harry e chegar em casa, o Harry recupera a memória e já está lá esperando ela chegar pra agredir e chantagear a coitada. São dois minutos, DOIS MINUTOS, entre a cena mais pacífica da história da Mary Jane e mais uma agressão de alguém que ela confiava. 

    Quinze minutos depois, é o Peter agredindo ela. Mais dez minutos e ela tá sequestrada OUTRA VEZ por um vilão querendo destruir o Peter. Homem-Aranha 3 escolhe a Mary Jane como saco de pancada e tira tudo dela em todas as cenas. E, por mais que o filme decida acabar com uma musiquinha feliz, é notável no rosto dela durante a última dança que ela ainda está totalmente dilacerada por dentro. Como os versos de "I'm Thru With Love" que ela canta "Eu tranquei meu coração/ Manterei meus sentimentos lá".

    Mas se o protagonista venceu os vilões e ainda ficou com a garota, tá tudo certo, né?
    Parabéns, Sam Raimi! 
 

   
    Já tirei minha revolta do peito, vamos voltar a falar do filme como um todo. 

    Sinto que os primeiros vestígios de um humor Marvel Studios começaram a nascer aqui. Muita piada, muito momento sério interrompido pra fazer graça. Nem digo que as piadas são ruins porque isso não seria verdade nem pro meu eu atual e nem pro meu eu de 12 anos que adorava a cena do J.J. Jameson tentando contratar uma criança como fotógrafa no meio da batalha final... Mas é necessário? Principalmente quando segundos antes estava um clima fúnebre com a possível morte do teioso e alguns segundos depois termos a morte de um dos protagonistas da franquia?  É realmente no meio desses dois momentos que uma piada MELHORA o filme? 

    Visualmente, eu gosto que tenta coisas novas, mas é o que pior envelheceu na trilogia. Todos os planos fechados de personagens digitais estão muito falsos e a quantidade de lutas do Homem-Aranha sem máscara não ajuda. O tom do filme é bem mais sombrio que os anteriores (justificavelmente) e funcionaria num filme melhor. Até mesmo a trilha do Christopher Young acompanha essa escuridão, com ele fazendo um ótimo trabalho em manter o som do Danny Elfman e entregar temas mais pesados para os novos personagens. 

 

          
    Pra finalizar, eu realmente gostaria de gostar mais desse filme. Ele funciona em entreter, mas, no momento que você começa a cavar fundo nele, você percebe que ele é bem raso e tem pouco a oferecer, principalmente em comparação direta com os anteriores. É triste que essa franquia tenha acabado aqui, acredito que o Raimi merecia a chance de fazer um quarto filme concluindo a história que começou. Considerando que (até o momento 😏) essa é a última vez que vemos essa versão dos personagens, é um final caído para uma ótima trilogia. Merece 5/10 aranhas douradas! 

 

     

    "Eu não vou morrer como um monstro!" - Otto Octavius
  

    Homem-Aranha 2 não é um filme que alguém simplesmente critica. Não é só considerado o melhor filme do aracnídeo, mas também é considerado o melhor filme de super-herói de todos os tempos por muitas pessoas. Como atingir esse patamar? Como fazer um filme tão infalível que continua conquistando gerações até hoje? 
  
    Só lembrando que esse texto está sendo escrito em preparação para o OITAVO filme solo do Homem-Aranha, No Way Home, que estreará no dia 16 de novembro no Brasil. Nada melhor do que rever e analisar todos os anteriores antes, até porque (dizem os rumores) todos os outros filmes terão sua devida importância nesse primeiro live action do multiverso
      
    Bora começar com a sinopse horrível do google:
   Quando uma falha na experiência de fusão nuclear resulta em uma explosão que mata sua esposa, o Dr. Otto Octavius é transformado em Dr. Octopus, um ciborgue com tentáculos de metal. Doc Ock culpa o Homem-Aranha pelo acidente e quer vingança. Enquanto isso, o alter ego do herói, Peter Parker, perde seus poderes. Para complicar as coisas, o seu melhor amigo odeia o Homem-Aranha e sua amada fica noiva.

 


  
    A gente começa não muito longe de onde o primeiro filme acaba. O que esse filme faz ainda melhor que o primeiro é manter a humanidade do Peter. Parker continua pobre, sem namorada, se esforçando para manter duas vidas totalmente contrárias em harmonia, sem sucesso. Perde um emprego nos primeiros minutos, mantem o seu segundo emprego ajudando a se difamar no Clarim Diário, com mentiras feitas para vender jornal. Nada funciona para ele. Falhando em estudos, decepcionando suas amizades, vendo sua tia se afundar em dívidas e se preocupando com o bem estar de uma cidade. Por que será que entrou em crise, não é mesmo?

    É então que entra Otto Octavius, cientista pronto pra mudar o mundo com energia renovável. Infelizmente, o plano falha e os braços mecânicos que ele instalou em si mesmo para auxiliar no projeto assumem o controle do seu cérebro. Agora Dr. Octopus quer concluir seu projeto de maneira bem mais ambiciosa que antes.

 

   

    Mas vamos falar sobre os personagens retornantes. Mary Jane, após se declarar pro Peter no filme passado, aqui já está pronta pra casar... com outro cara. Harry, por sua vez, só tem duas características nesse filme: é rico e odeia o Homem-Aranha. Se não tá falando de dinheiro, tá falando de como vai se vingar pela morte do pai. Tia May, por algum motivo, agora também odeia o Homem-Aranha. Eu realmente não lembro se o primeiro filme dá motivos para isso, até porque ela sabe que o Peter "conhece" ele, né? Mistérios da vida. Deve ter caído em fake news do Clarim. Era mais fácil odiar o Peter por largar ela no banco e sair correndo quando um monstro de garras metálicas aparece.

    Peter percebe que seus poderes não funcionam como antigamente. Após uma breve consulta médica e uma experiência quase "espiritual" com o tio... Ok, vamos parar aqui um pouco. Eu honestamente não entendo essa cena. É uma conversa do Peter decidindo não ser mais o Homem-Aranha e, no psicológico dele, ele sente essa pressão do Tio Ben pra ser um herói, pra carregar essa responsabilidade pra sempre... É a segunda vez na franquia que o Peter destrata o tio no mesmo carro, nega até apertar a mão dele e não tem um payoff, não tem um retorno onde ele conserta a situação. Parece tão aleatório trazer o Tio Ben de volta só pra se decepcionar outra vez. Talvez se perto do final ele pudesse conversar de novo com o tio e dizer que ele tava certo, sei lá. Enfim, Peter desiste de ser o Homem-Aranha. 

    Uma das maiores provas de que o trunfo desses filmes não é o herói e sim o homem por trás são as cenas do Peter sem poderes. Elas são extremamente confortáveis. Em momento nenhum você fica ansioso pelo retorno das cenas de ação, você só fica feliz pelo Peter ter a paz merecida, mesmo que ela dure pouquíssimo tempo. Toda a montagem do Peter vivendo sua vida sem o peso de NY inteira nas costas enquanto Raindrops Keep Fallin' On My Head toca é, talvez, a minha cena favorita do filme.

 
    

    Mas, como nada são flores na vida desse cara e essa ainda é uma história mais de perdas do que de vitórias, outra vez Peter se vê forçado a assumir o manto vermelho e azul para salvar Mary Jane e NY. A cena da luta no trem continua tão maravilhosa quanto da primeira vez que eu assisti. A qualidade dos efeitos visuais é impecável, a trilha sonora do Danny Elfman não tem um defeito sequer, a fotografia do Bill Pope é deslumbrante e eu poderia passar o dia aqui encontrando adjetivos pra elogiar toda a equipe técnica desse filme.

    Um ponto interessante no primeiro e no segundo filme é que a cidade é uma ótima coadjuvante pro Aranha. Os moradores da cidade realmente se importam com o herói e estão prontos pra ajudar no que puderem. A cena deles ajudando o Peter no trem, protegendo o segredo dele, entrando na frente do Octopus para defender o teioso, tudo isso é só motivo pro Peter continuar lutando. 

 

     
    Otto Octavius é um vilão muito bom de assistir. Além dele ser um adversário físico bem melhor, ele ainda tem uma conexão muito forte com o Peter. Em momento algum é só Homem-Aranha contra Octopus, é sempre Peter Parker contra um de seus heróis pessoais, inclusive no momento da redenção. É muito gratificante saber que o Homem-Aranha sozinho não venceria aquela briga. Quem "vence" é o Peter por realmente se importar com outro ser humano, mesmo depois de todo o mal que ele lhe causou. Octopus se sacrifica pelo bem da cidade, Peter finalmente revela para Mary Jane quem é e os dois ficam juntos, prontos pra enfrentar os próximos obstáculos. 

    O que esse filme faz (que é muito difícil de repetir) é a dose balanceada IGUALMENTE de humanidade e aventura. Quando a história acaba, a gente sabe que o mundo precisa de um Peter Parker tanto quanto precisa do Homem-Aranha. Os dois personagens funcionam e interagem com o mundo ao seu redor de maneira individual, com os demais tendo opiniões diferentes sobre cada, o que torna tudo mais dinâmico e, muitas vezes, sofrido para quem assiste. É triste para o Peter saber que o segredo que ele protege do Harry é o motivo dele odiar o Aranha, mesmo que o Harry esteja insuportável nesse filme. 

    No fim, o que a gente tem é uma aula de como fazer personagens fantásticos serem realistas e emocionalmente humanos. É uma pena saber que o próximo filme não entende tão bem essa situação toda. No momento, só me resta dar 10 aranhas douradas pra esse filme!! Merecidamente, o único filme dos sete que vai ter essa nota!

  


                
    "Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades"
- Ben Parker
                     

    Com a chegada de Sem Volta Para Casa, o terceiro filme solo do Aranha do MCU, que promete (sem prometer de verdade) unir três gerações do aracnídeo, pensei que era uma boa hora de rever os filmes antigos e reparar o quanto eles sobreviveram (ou não) ao tempo. Será que temos vários vinhos engarrafados com cuidado ou só um montão de leite aberto? Acredito que teremos uma boa cota dos dois.

    Para começar, cada título terá um número, identificando os sete filmes que, até o momento, já foram lançados. Mas, sem mais delongas, vamos falar do primeiro filme do Homem-Aranha, dirigido por Sam Raimi e lançado em 2002. 

  


                           
    Começando com a sinopse, pra não perder o hábito:
    Depois de ser picado por uma aranha geneticamente modificada em uma demonstração científica, o jovem nerd Peter Parker ganha superpoderes. Inicialmente, ele pretende usá-los para para ganhar dinheiro, adotando o nome de Homem-Aranha e se apresentando em lutas de exibição. Porém, ao presenciar o assassinando de seu tio Ben e sentir-se culpado, Peter decide não mais usar seus poderes para proveito próprio e sim para enfrentar o mal, tendo como seu primeiro grande desafio o psicótico Duende Verde.


    Quero já começar dizendo que admiro como o filme não perde tempo. Considerando que, em 2002, não existia uma fórmula ou um modo correto de fazer esses filmes (o mais próximo disso até então era o X-Men do Bryan Singer e a fórmula do MCU estava há décadas de ser implementada), é surpreendente o quão rápido ele entra no ritmo e o quão fielmente se mantem nesse ritmo até os créditos finais. Se tirarmos os três minutos iniciais de créditos, nós temos apenas sete minutos de Peter Parker sendo um jovem normal. E que sete minutos fenomenais são esses. A empatia é imediata: vemos ele correndo pra pegar um ônibus (quem nunca?), sofrendo um pouco de bullying (quem nunca?²), apaixonado sem coragem de se declarar (quem nunca?³), ele é a perfeita representação de alguém que todo mundo já foi uma hora ou outra na vida. 


    E aí ele é picado por uma aranha mutante e tudo muda... Ou não muda? A verdade é que essa é a chave para o sucesso desse primeiro filme. Nada muda. Sim, ele tem habilidades incríveis agora... Mas continua correndo pra pegar o ônibus, sofrendo bullying e sem coragem de se declarar pra quem ama. Os poderes não mudam quem ele é, só adicionam mais uma camada de complicações na história. É instantaneamente cativante e evidencia ainda mais onde erra o aranha do... ops, me precipitando, não é mesmo? Ainda estamos começando a jornada! Cada aranha na sua teia...


 


                                 

    Ao mesmo tempo que Peter é introduzido, todos os personagens que serão relevantes para o filme são apresentados nos primeiros dez minutos. Temos o melhor amigo, o interesse romântico, o vilão, a família do herói, todos com histórias extremamente interligadas para facilitar os encontros necessários. Peter é apaixonado por Mary Jane, que foi vizinha dele e dos tios a vida toda, mas que agora namora o melhor amigo de Peter, Harry Osborn, filho de Norman Osborn que se torna o Duende Verde em 17 minutos de filme. É uma aula de como ganhar tempo em roteiro. 


    Não é explicito o tanto de tempo que o filme abrange, mas acredito que o roteiro seja quase um aluno da Escola Harry Potter de Resumir 1 Ano em Duas Horas. Em 30min de filme, já vemos os tios de Peter preocupados pois faz muito tempo que ele não tá sendo ele mesmo. Em 50min, ele já se forma no colegial. Em 1 hora, ele já arranjou um emprego com o Dr. Curt Connors, perdeu esse emprego por atrasar várias vezes, já está procurando outro trabalho. Em 1h17m, ele já construiu uma ótima reputação como Homem-Aranha e já teve essa reputação destruída pelo Clarim Diário. Resumindo, o filme é abrangente. Ainda assim, não parece apressado, parece apenas levar a história pra onde ela precisa ir.


    O crescimento do protagonista é notável. Vemos um jovem que nunca pôde tomar uma decisão egoísta. Na primeira que tomou, movido por uma frustração imensa, perdeu a única figura paterna que já teve. Depois disso, passa o filme abrindo mão da sua própria vida pelo bem dos outros. 


  


                                     
    É importante falar disso aqui, principalmente pelo contraste com as demais versões do personagem, mas esse Peter é um Peter que não vence. Quando ele tá sofrendo nas mãos dos outros alunos da escola, ele é só uma piada. No momento que ganha o poder de reagir, ele é visto como um monstro. Ele não ganha dinheiro para ser o Homem-Aranha, então precisa trabalhar, mas não consegue trabalhar bem por ser um herói nas horas livres. O tio morreu, a tia foi atacada por descobrirem quem ele é. A namorada foi sequestrada pelo mesmo motivo. Apesar do filme acabar num passeio triunfante do Homem-Aranha pelos arranha-céus de NY, seu alter ego não acompanha esse sucesso. Peter Parker acaba o filme com um segredo pesadíssimo nas costas, desempregado, sem a mulher que ele ama, escondendo o segredo do Norman pelo bem do Harry e sabendo o ódio que o melhor amigo carrega de sua outra metade. É exaustivo ser o Homem-Aranha, mas com grandes poderes vem grandes responsabilidades.  


    Outros dois elementos interferem diretamente na qualidade de um filme do octópode (sério, não sei mais do que chamar o Homem-Aranha pra não ficar tão repetitivo, me perdoem): vilão e par romântico. 


    Nesse filme, temos um vilão icônico por diversos motivos. Sua presença é igualmente forte e intimidadora antes e depois de se tornar o Duende Verde. Que trabalho maravilhoso de Willem Dafoe. Norman Osborn é um pai exigente que parede demonstrar pouco o amor que sente pelo filho. Está trabalhando a vida toda em um projeto que é descartado como lixo, é tirado do poder de sua própria empresa e vê no Aranha o único obstáculo para que consiga tudo que quer. O que ele quer? Após destruir o conselho da sua empresa, não existe nenhuma outra motivação clara. É dito "poder além da imaginação", mas é algo genérico demais para poder ser preocupante. A gente releva, mas tira ponto no final! 


 


                                 
    A maior falha na construção do personagem é na dualidade entre o Duende e o Norman. Em um momento estamos vendo os dois conversarem entre si, discutindo objetivos e métodos com opiniões contrárias, duas pessoas totalmente diferentes, mas essa é a única cena em que isso acontece. Se a intenção era tratar o Duende como uma entidade separada do Norman, como se apenas um assumisse o controle por vez, não não faz sentido o tanto de cenas que eles intercalam sem esforço, principalmente na cena de ação de graças ou na última tentativa de manipular o Peter no final. Parece que o filme tem uma ideia e desiste dela logo em seguida. Ainda assim, um grande vilão e uma ameaça física e psicológica real.


    No quesito par romântico, eu sempre tive muitos problemas com Mary Jane Watson. Talvez eu goste mais dela hoje do que jamais gostei antes, mas sinto que ela amou o Homem-Aranha antes de amar o Peter, ainda que na última cena do filme ela diga o contrário. Existem muitas atitudes manipuladoras. Ela sabe desde o começo o quanto o Peter gosta dela. Ela praticamente tenta manipular ele a se declarar enquanto tá indo jantar com o Harry. Acho que existem muitas linhas curvas na personagem como par romântico. Como pessoa, gosto que ela seja uma sonhadora, gosto que ela não aceita desaforo, gosto que ela sinta que é livre o suficiente pra fazer o que quer e dar uns pegas em quatro caras diferentes (até onde ela sabe) num só filme. Bem diferente de como a mocinha é vista na maioria dos filmes de herói. Mary Jane tem as falhas dela, e só por não ser perfeita já é melhor que a maioria.


    Eu quero muito focar apenas em critérios humanos, até porque meu ponto aqui é a evolução e transformação da história durante vinte anos. Mesmo assim, seria insano demais não falar um pouquinho da parte técnica. Visualmente, o filme sobreviveu muito bem ao tempo. Até as cenas mais explicitamente geradas por computação gráfica não causam estranheza aos olhos. Fiquei bem surpreso com a qualidade. Dá pra perceber que tudo foi feito com o cuidado máximo que merecia. É importante dizer isso aqui porque eu sei que no futuro isso não vai se manter verdade. 
   

    Ah, e palmas para Danny Elfman, que entregou uma trilha tão maravilhosa que até hoje é instantaneamente reconhecível. 
 


                            

    "Não importa o que eu faça, não importa o quanto eu me esforce, aqueles que eu amo sempre irão pagar"

    Com essa frase, dita por Peter no final do filme, eu concluo meus pensamentos sobre Homem-Aranha (2002). Isso é o que resume o personagem. É necessário risco, é necessário perda e é necessário esperança. É a história de um herói fazendo tudo que pode pra manter todos a salvo acima de suas vontades ou de seu próprio bem estar. Sinto que isso se perde em alguns filmes do Aranha, mas, como eu disse antes, eu não vou me precipitar. Falaremos deles na hora certa!


    Esse filme merece 8/10 aranhas douradas! 
              



Depois de muito tempo sem escrever para o blog, eu retorno com uma crítica de um filme de Abril... Por quê? Porque existem pessoas que pedem minha opinião desse filme desde o lançamento. O que é tempo demais para esperar por qualquer coisa. Então resolvi tirar o encargo da consciência e finalmente rever o filme e falar sobre. Em consequência, a critica será diferente do que costumo fazer aqui. Ou seja: LOTADA DE SPOILERS! Vamos admitir, quem ia ver o filme ja viu. 


Vamos começar com a sinopse: 
Tentanto proteger o planeta de ameaças como as vistas no primeiro Os Vingadores, Tony Stark busca construir um sistema de inteligência artifical que cuidaria da paz mundial. O projeto acaba dando errado e gera o nascimento do Ultron (voz de James Spader). Capitão América (Chris Evans), Homem de Ferro (Robert Downey Jr.), Thor (Chris Hemsworth), Hulk (Mark Ruffalo), Viúva Negra (Scarlett Johansson) e Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) terão que se unir para mais uma vez salvar o dia.


A segunda união dos Vingadores começa com uma missão para recuperar o cajado do Loki, usado no primeiro filme. Tenho que dizer que o filme tem seu ápice nessa primeira cena. Não havia necessidade de todos os Vingadores irem juntos. Tenho certeza que um ataque aéreo do Tony Stark daria conta... ja que ele foi direto pra missão enquanto os outros ficaram lutando contra capangas. Mas o incrível aqui foi a maneira de trazê-los de volta unidos. Um plano-sequência perfeito mostrando cada Vingador contribuindo pra batalha. Com certeza o momento mais marcante... apesar de em algumas cenas parecer digital demais e, infelizmente, todo mundo já ter visto a cena nos trailers...

É também nos primeiros dez minutos que vemos a segunda melhor cena do filme, onde Tony Stark tem uma visão de todos os seus companheiros de time mortos, terminando com o escudo do Capitão América partido ao meio (tava no trailer também). Ele acorda da ilusão e o título do filme aparece. De agora pra frente, é só água a baixo. 


A barra começa a forçar quando mostram um clima romântico entre Bruce Banner e Natasha. Não foi algo desenvolvido, não foi algo nem sequer referenciado, nos filmes anteriores e agora o que temos é quase uma relação séria. Enquanto isso, Tony explora o cajado de Loki pela milésima vez para encontrar algo relevante nele. Encontra um cérebro pensante eletrônico, similar ao de seu aliado Jarvis, mas muito mais avançado... que dará origem a Ultron, um dos vilões mais burros da franquia toda. Irônico.

Momento Observação #1: Vamos parar um segundo de análise pra falar sobre um dos grandes problemas desse filme. A falta de respeito e continuidade com os filmes anteriores. Nós vemos Tony Stark com centenas de armaduras do Homem de Ferro agindo sozinhas novamente, sendo que no final do terceiro filme dele, todas foram destruídas com promessa para a Pepper de parar com elas... (Não que Homem de Ferro 3 deveria ser considerado como um todo... porque não devia... mas... ah, deixa pra lá.)

Continuando. Stark e Banner começam a trabalhar no que deveria ser a salvação da humanidade. Mas a salvação acaba sucumbindo ao poder em apenas alguns segundos de vida e decidindo ficar contra os Vingadores. Por quê? Porque sua primeira ação foi usar a internet. E a internet corrompe absolutamente (peguem essa referência). Ou seja, se você é pai, e sua criança tem acesso a internet desde criança... parabéns, você está criando um Ultron :)


O que mais vemos na personalidade de Ultron é que ele realmente foi criado pelo Stark, já que o excesso de piadas a cada frase ele já herdou. O plano dele é salvar o mundo matando os Vingadores e, mais tarde, exterminando todos os seres humanos da Terra. Recruta os irmãos Maximoff que são contra os Vingadores por causa da morte de sua família nas mãos de armas feitas pelo Stark... o que me faz acreditar que o Ultron é o único vilão com acesso a internet para ver o quanto o Stark mudou desde a época que fazia armas apenas por fazer... Alguém compra um box da Fase 1 do Marvel Cinematic Universe pra eles?

Temos então mais uma batalha muito bem feita, mas que só serve para glorificar os três principais Vingadores e mostrar o quanto Viuva Negra e Gavião Arqueiro são inúteis quando os inimigos são robôs assassinos que tiros ou flechas não matam. Temos Capitão e Thor contra todas as armaduras, temos Stark contra Ultron e... Viuva Negra e Gavião contra capangas humanos do vilão secundário que acabou de aparecer na trama por 4 minutos e já foi embora... parabéns.

Depois de muito tempo com batalha física, Ultron decide que tá na hora de usar os poderes da Feiticeira Escarlate. O porquê de ter demorado tanto, eu não sei responder. Mas é eficiente, e todos ficam perdidos... em visões completamente sem padrão. Viúva Negra vê seu passado triste. Thor vê visões terríveis de destruição no futuro. Capitão América... se vê numa festa, todos felizes, e ainda se encontra com a Peggy. Muito justo... acho que sabemos qual Vingador é o preferido da Feiticeira. 


E depois de tudo isso, a gente corta pra luta do Ultron contra Stark... que eu honestamente tinha esquecido que tava acontecendo. Enquanto isso, Wanda decide controlar o Hulk para causar destruição... simplesmente para o Hulkbuster poder ser mostrado. Tinham maneiras bem mais uteis de usar o Hulk para os propósitos do Ultron e destruir uma cidade aleatória não é uma delas. Não vamos nos iludir dizendo que a cena tinha um propósito maior do que fazer os expectadores gritarem "wooow". A maior prova disso é que toda a destruição causada não terá consequência nenhuma nas cenas seguintes. Uma pena. Abalados com toda a situação, os Vingadores precisam se recompor escondidos, e é então que vão para a fazenda do Gavião Arqueiro, onde sua família vive pacificamente.

Momento Observação #2: É realmente uma decepção ver o passado da Viúva Negra sendo explorado, perceber o quão interessante é a origem dela, perceber o tanto de profundidade de personagem que ela tem, e saber que NUNCA veremos um filme solo dela dentro do MCU. É muito potencial desperdiçado. Principalmente com uma atriz como a Scarlett Johansson no papel. 

Momento Observação #3: Esse filme ta muito menos "união de heróis" e mais "introdução pros próximos filmes", o que é muito errado. No começo, os filmes solos eram a entrada pro filme da equipe, e isso funcionou perfeitamente no primeiro Avengers. Já esse segundo parece o tempo todo estar fazendo referências para o que vem no futuro, como se ele não pudesse ser uma conclusão de si mesmo. Referências ao próximo Thor, referências a Guerra Civil, referências até ao próximo Avengers... o que deixa o filme inteiro com um ar vazio que o anterior preencheu. Tudo bem, esse filme não encerra uma fase da Marvel como o anterior fez. Essa fase é encerrada por Homem Formiga. Ainda assim, não é como se AntMan tivesse as respostas. Ou seja, a fase dois Marvel foi um buraco vazio que ninguém conseguiu preencher e serviu apenas de túnel pra terceira. 

Para justificar seu plano maligno, Ultron cita a bíblia, como se isso tornasse tudo que ele fez correto. É incrível que, mesmo criado por um cientista ateu, ele ainda usa Deus como justificativa de suas ações. Enquanto cria um corpo humanoide para si mesmo, com uma das gemas (ou Joias do Infinito) na testa, finalmente os irmãos Maximoff descobrem os planos dele... e fogem... só isso. Eles tinham poder para fazer mais estrago ali mesmo... escolheram não fazer isso. Só pra garantir que a próxima cena deles seria mais interessante. E é então que vem mais uma batalha. 


Momento Observação #4: Ultron teve dezenas de chances de matar todos os Vingadores durante o filme todo. E ele sempre acaba fazendo a escolha de atrapalhá-los mais do que matá-los. Tem uma parte secreta do Ultron que gosta dos Vingadores e quer assistir o próximo filme. Uma parte que quer falhar. É a unica explicação pra alguém cuja missão é matar um grupo de pessoas sempre escolher a coisa menos mortal pra fazer isso. 

Depois de mais uma incrível batalha, os Vingadores conseguem pegar o recipiente do Ultron, dando a chance de Stark preenchê-lo com algo diferente: Jarvis, seu fiel escudeiro digital. Mas não antes de mais uma briga entre membros da equipe. Felizmente, o que Banner e Stark criam dessa vez é Visão, um herói digno de segurar o Mjolnir (ótima cena). Visão faz questão de dizer aos Vingadores que Ultron está os esperando para concluir sua missão de destruir o mundo... Então toda tentativa anterior pra matá-los falhou intencionalmente? Porque no fundo tudo que ele queria é que os Vingadores assistissem o seu plano em ação? Sobre o que foi esse filme até agora? A observação #4 perde um pouco a validade se isso for verdade, mas como provavelmente é só uma falha gigante de roteiro, eu vou deixar tudo como está. Seguindo em frente...

Momento Observação #5: O sotaque falso dos irmãos Maximoff é obviamente falso e isso irrita muito durante o filme. Quando eles falam baixo, é quase imperceptível, então eu deixo pra lá... mas é só eles começarem a gritar que a coisa fica feia. 

Mais uma vez, Ultron mostra seu plano de destruir a humanidade. Mas minutos antes, nós vimos uma cena com a Viúva Negra onde ele deixa-a viver pra poder falar sobre seus planos. E agora está dizendo que nada que não for de metal sobreviverá seu "apocalipse". Agora ele não liga pra solidão eterna? Só ligava pra isso alguns minutos atrás? Afinal, todos os robôs que ficarão vivos são Ultron também, ele mesmo deixou isso claro antes. Ele não terá ninguém pra conversar. Esse é o vilão menos decidido da história da Marvel... e o mais inteligente, de acordo com a história...


Nesse ponto da história, a SHIELD já chega para ajudar os civis dentro da cidade voadora que destruirá o mundo a irem embora em segurança. Deixando apenas Vingadores e centenas de Ultrons no lugar. Ultron agora manda todas as suas miniaturas para derrotarem os Vingadores. Claro, é uma cena bem legal de se ver... mas se ele tinha tantos assim apenas esperando, seria uma boa ter mandado antes, enquanto eles estavam separados. Não que os robozinhos inúteis fossem fazer algum estrago em qualquer um deles sozinho... mas teriam um pouco mais de chance.

Mercúrio então morre. E eu tenho quase certeza que essa é minha primeira menção dele nessa crítica. Simplesmente porque perto da irmã ele não faz diferença alguma. Nem sequer perto do outro Mercúrio mostrado em X-Men - Dias de um Futuro Esquecido. Tudo que vimos ele fazer aqui já tínhamos visto de maneira mais interessante antes. Então a única coisa impressionante nessa morte é dizerem pra mim que a irmã sentiu o irmão morrendo à distância. Sim, os dois têm poderes e são gêmeos... mas não é justificado.  Haviam boatos de que, em um final alternativo, ele sobrevivia. Bom, passaram-se oito meses desde o lançamento e nada assim foi mostrado. O que, honestamente, é ótimo. Fique morto, Mercúrio.

A irmã então parte para matar o Ultron finalmente. E o faz com uma boa facilidade, depois da surra que ele levou dos outros. Infelizmente, com isso, ela deixa de fazer o único trabalho ao que foi incumbida: MANTER OS ROBÔS LONGE DA IGREJA. E é ai que a cidade começa a cair do céu. Thor e Homem de Ferro destroem a cidade inteira, Visão salva a Feiticeira (inclusive com um clima de leve rolando entre eles, mas não acredite que isso vai acontecer tão cedo). Hulk foge com uma nave irrastreável deixando Viúva Negra sozinha.

Momento Observação #6: Qual foi a necessidade de todos aqueles momentos carinhosos entre os dois, se nem explorar isso vão? Parece que passaram um filme inteiro provocando pra algo acontecer que simplesmente não acontece. Mais uma vez aquela sensação de que o filme não foi feito pelo filme, e sim pelo próximo filme, o que é péssimo. 


E então o filme acaba. Tudo está bem quando acaba bem e sem consequência nenhuma :)
A conclusão disso tudo, que eu gostaria de deixar claro aqui, é que esse não é um filme ruim. Mas, considerando o histórico da Marvel e a habilidade que eles tem de tirar ouro de palha, esse não é um filme bom também. Ele é um meio termo aceitável. É bem dirigido, apesar de não ser nada bem roteirizado. Os planos do vilão nunca são claros, e, quando se tornam, são eliminados muito antes da batalha final (já que a maior ameaça para os Vingadores era a criação do Visão... que acabou ficando do lado deles na história). Então em momento algum os Vingadores estiveram em real perigo. Nós, os humanos da história, estivemos. E é legal ver que eles estão dispostos a se sacrificarem por nós... mas isso ainda não é uma real ameaça. Toda hora temos demonstrações do quanto os Vingadores são indestrutíveis... e isso não cria tensão.

As cenas de ação não inovam em relação ao que já vimos no filme anterior. São exatamente as mesmas com personagens diferentes protagonizando. Vingadores vs. Robôs Assassinos liderados pelo verdadeiro vilão... não é mais tão impressionante quanto foi da primeira vez. E ainda temos as cenas lentas, focadas nas conversas e na ponte pros próximos filmes que, apesar de serem interessantes, atrapalham muito o ritmo pela maneira que acontecem. O primeiro filme teve momentos de desenvolvimento de personagem... mas eram cenas tensas, onde um clima de "algo errado está pra acontecer" sempre estava presente. Nesse filme, essas cenas eram relaxadas, sem perigo algum... e isso afeta o filme. 

Se buscava só diversão, provavelmente saiu satisfeito da sessão. Se buscava algo um pouco mais motivado, o jeito é esperar e torcer para que Vingadores: Guerra Infinita compense, com suas duas partes, o que esse não conseguiu. E ano que vêm temos Guerra Civil, que pode consertar muita coisa também. O fato é: MARVEL CONSEGUE FAZER ÓTIMOS FILMES. Eles só precisam querer de verdade. 


FELIZ ANIVERSÁRIO, MAURÍCIO!!
(A pessoa que mais me encheu o saco pra escrever essa crítica por um ano kkkkk)


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WASTED TIME!


Essa é uma postagem um pouco separada das outras coisas que escrevo para o blog. Não é uma crítica de nenhum material específico, mas uma análise de um conjunto de materiais de décadas afora. O que deveria ser a melhor maneira de escolhermos um bom filme se tornou a melhor maneira de estraga-lo. Essa é a realidade de hoje em dia. E é sobre o caminho percorrido que gostaria de falar com vocês. NÃO IREI FALAR DE TEASERS, porque teasers raramente mostram algo a mais. Estou falando de trailers completos mesmo!

Atualmente, o que nós temos são filmes com campanhas tão agressivas de marketing que revelam muito mais do que deveriam. Quem nunca foi ver um filme e sentiu que ja tinha assistido tudo aquilo antes nos trailers e spots e featurettes e teasers? Mas isso não é um problema recente. Antes, em um mundo bem menos digital, trailer antes dos filmes no cinema era a única maneira de exibir cenas e provocar o público. Então, na afobação para ter sucesso, acabam mostrando tudo que o filme tinha de bom. 

Mas numa era completamente virtualizada, onde cada cena dos bastidores é divulgada para a gente, trailers com informação demais são desnecessários. Um bom teaser, um bom poster, uma boa campanha virtual é mais do que suficiente para nos fazer ter interesse. É por isso que estou criando essa postagem, para mostrar o quão prejudicial pode ser um trailer (ou vários). Mas sem esquecer o lado bom também, os trailers que mostram só o necessário. Mas vale arriscar descobrir que tipo de trailer é???
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Vamos começar com o pior caso possível de Trailer que estraga tudo! Carrie - A Estranha, de 1976, é um clássico do gênero terror. Diversas tentativas de refazer esse filme vieram depois, mas todas falharam em ser tão boas quanto a Carrie de Brian De Palma. Infelizmente, o trailer (com uma voz de fundo explicando quem é Carrie e toda sua história) revela detalhes da trama que não deveriam ser revelados até o filme ser assistido.
 


O filme Free Willy, de 1993, é basicamente um filme sobre um garoto tentando libertar uma baleia mantida em cativeiro, pois se apega emocionalmente a ela. Até o título é "Willy Livre". Seria uma pena se o trailer do filme mostrasse o climax do filme, não é mesmo? Spoiler Alert: Willy foge!



Mas esse nem é o maior exemplo. apesar de ser um dos mais irônicos. O filme Naufrago (Castaway), de 2000, coloca Tom Hanks numa ilha depois de um acidente de avião. O trailer vai mostrar a queda e um pouco dele vivendo na ilha, não é mesmo? É suficiente para intrigar o público. Spoiler Alert: O trailer mostra ele em casa se preparando pra viagem, ele viajando, o avião caindo, ele perdido na ilha, ele aprendendo a viver na ilha, ele decidindo fugir da ilha, ele sendo encontrado, ele já saudável e arrumado, ele voltando pra casa. Nem a cena final do filme fugiu do trailer, com ele na estrada decidindo seu caminho. Quero dizer, ainda é um ótimo filme. Mas isso é realmente necessário mostrar? 

 
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Pouco depois dos anos 2000, alguns cineastas começaram a tomar mais cuidado com o trailer. Intrigando, mas mantendo a verdade escondida. É o caso do diretor Christopher Nolan. Seus trailers são considerados os melhores dos ultimos anos. Desde A Origem, com um trailer que só te deixa mais confuso, até Interstellar, que é um filme sobre viagem espacial que nem sequer mostra qualquer parte da viagem no trailer! É melhor que o filme esse trailer, mas vamos entrar nessa discussão em seguida.

 

Mas o meu trailer preferido do Nolan é o de Batman - O Cavaleiro das Trevas! Ele não só conseguiu intrigar as pessoas, como também não revela absolutamente nada da história. No filme, nós temos até um vilão extra (Harvey Dent/Duas Caras) que nem sequer é sugerido no trailer. Ir ver um vilão e ganhar outro de bônus completamente de surpresa é algo ótimo :)

 
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O terceiro tipo de trailer é o que é melhor que o filme! Acho que esse é o pior de todos, do ponto de vista de espectador. No ponto de vista empreendedor, esse é ótimo, pois pode levar grandes plateias para assistirem filmes não tão "grandes". Ele cria uma expectativa enorme que é destruída quando assistimos finalmente a obra. Alguém lembra de Batalha de Los Angeles? O trailer era super promissor... e o filme é aquilo que a gente ja viu.

 
Ou melhor, que tal Homem Aranha 3? O trailer arrepia até hoje... e o filme foi aquela destruição de franquia que foi. O trailer é bem pesado, um clima diferente dos outros filmes da franquia, e mostra as melhores cenas sem dúvida nenhuma. Só poderiamos especular como o filme seria. Se você nunca viu esse trailer, veja! É magnífico!
 
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As vezes temos teasers e trailers bons, mas que são feitos numa quantidade tão gigante e sempre colocando conteudo novo, que o que sobra para ver no cinema são alguns diálogos e nada de ação. Diversos críticos na época do lançamento de "Os Vingadores - Era de Ultron" disseram que quem havia visto todos os trailers não veria muita coisa nova quando pagasse o ingresso. Eu pude assistir apenas com o Teaser na cabeça, e a experiência foi completa. Mas para terem uma noção, esse aqui é um trailer editado com material promocional de Age of Ultron colocados em "ordem cronológica". Ta meio errada a ordem, porque o filme não tinha sido lançado quando isso foi feito, mas é bom pra exemplificar o quanto esses trailers mostram do filme. 

 
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CONCLUSÃO:
Então aqui vai a resposta da pergunta do título. Eu não assisto trailers porque por mais que alguns diretores ainda se preocupem em não estragarem seus filmes com trailers exageradamente lotados de informação, a maioria ainda faz trailers perigosos. Para evitar descobrir demais de um filme ou criar falsas esperanças sobre a qualidade, a melhor maneira é evitar vídeos. A parte escrita e o material gráfico deveriam ser suficientes para convencer!

Não posso dizer que sou imune a vontade de ver trailers. Mas desde que comecei a só ver depois de assistir o filme, nenhuma vez eu me arrependi! Eu percebia o quanto da experiência real era perdida por causa de dois minutos de imagens. Hoje em dia, eu só vejo trailers quando não faço ideia se quero ver o filme, mesmo depois de pesquisar sobre ele. E então eu vejo apenas o tempo necessário pra me convencer. 30 segundos as vezes é mais do que o necessário pra me fazer fechar o trailer e esperar ansioso pelo lançamento. 

Foi-se a época onde a quantidade de informação era o que nos motivava. Nós temos centenas de milhares de informações na palma da mão o dia todo no mundo atual. O que importa agora é a qualidade das informações. E enquanto os trailers não aprenderem a exibirem somente o necessário para provocar, eu prefiro ficar longe deles! 

No fim, é tudo questão de gosto mesmo! Veja ou não veja trailers, o importante é que continue vibrando com grandes cenas de ação ou se assustando em filmes de terror. Se emocionando em filmes de drama ou gargalhando com filmes de comédia! Trailers são apenas uma parte dessa jornada. O mais importante é sempre o que vem depois!

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WASTED TIME

E essa Mid Season não para de surpreender. Ta melhor que a Fall do ano passado até. Hoje o Wasted Time trás pra você a PARTE 3 do nosso especial para essa época tão divertida para os seriadores... ou não. Stalkers digitais, zumbis ajudando a policia e mulheres determinadas mostrando que idade não é documento quando se fala em trabalho duro. Tudo isso você só encontra na Mid Season 2015!

Não gosto de falar só das estreias da semana, então sempre misturo uma série do começo da Mid com uma série da semana passada, principalmente para divulgar séries diferentes para públicos diferentes. Nós sabemos que cabe mais uma série ai na sua grade, então já pega um caderninho e anota as sugestões a seguir!!


Eye Candy, o novo suspense da MTV, foi denominado por muitos na época de sua estreia como a nova Pretty Little Liars! 90% das pessoas já sabem, isso deixou de ser um elogio considerando os rumos que a série das mentirosas pequeninas tomou. Pois venho dizer que o piloto de Eye Candy ja supera muito as últimas temporadas de PLL. É uma série completamente decidida, ela sabe pra onde ta indo e não ta aqui só pra enrolar por anos. Sua primeira temporada ja foi exibida inteira, e uma renovação ainda esta pendente.

Eye Candy conta a história de uma hacker que é convencida por sua amiga a entrar num site de relacionamentos. Acontece que um dos interessados é aparentemente um serial killer, pronto para fazer de tudo. Ela então se une a seus amigos para descobrir quem é seu stalker digital, na expectativa de também encontrar sua irmã, que foi sequestrada três anos antes! Será que o sequestro e os assassinatos de seu stalker estão conectados?

Até o momento, eu só assisti o piloto da série. O piloto é suficiente nesse caso para te prender a série. É arriscado, meticuloso e muito surpreendente. Tem uma maneira muito única de se desenvolver, mesmo que levemente relembrando Pretty Little Liars. Se continuar com temporadas curtas e com episódios de qualidade, ela pode criar uma reputação por si própria, sem comparações. Tudo depende do resto dos episódios e da renovação ser oficializada. Mas, mesmo se for cancelada, vale a pena ver esse piloto só para começar a ter uma noção melhor do que pode ser explorado num piloto. Não é só em Season Finale que grandes choques podem acontecer. Torço por um longo futuro!



Vou começar com uma confissão. Não vai parecer algo bom, mas é algo que eu preciso admitir antes de falar de iZombie. Eu tenho um enorme preconceito com a CW! Mesmo quando ela faz algo de qualidade, eu ainda fico com um pé atrás sobre que rumo esse algo vai tomar. De um tempo pra cá, pelo menos, séries como Arrow, The Flash e The 100 tem sido muito elogiadas. Além disso, Jane The Virgin levou até Globo de Ouro pra casa ano passado. Aparentemente, eles começaram a investir mais no que exibem, mas eu ainda tenho o pé atrás em começar qualquer série do canal. Se eu puder evitar, eu evito... Mas iZombie é uma série inevitável!

Liv é uma estudante de medicina que estava no lugar errado na hora errada... e agora é um zumbi. Diferente do que se espera, ela consegue administrar sua fome trabalhando num necrotério policial, ajudando a resolver casos. Quando se alimenta do cérebro de uma pessoa morta, ela absorve as memórias dessa pessoa também (junto com algumas habilidades). Para esconder seu segredo, ela finge ser vidente e ajuda um policial tentando construir uma carreira.

Com humor e ação na medida certa, a série é empolgante e divertida. A protagonista é carismática, a série é cheia de caras conhecidas (como a Aly Michalka, de Hellcats), e seu caso inicial é muito interessante. Não é tão procedural quando parecia ser. Ela tem espaço pra desenvolver tanto os dramas contínuos quanto os casos da semana, e isso ja é uma enorme vantagem pra série. Eu to bem mais surpreso com a qualidade da série do que eu quero admitir. Zumbi resolvendo crimes não parece algo muito inteligente, mas a série não se leva totalmente a sério, então suas ironias podem ser aceitas facilmente pelo público. O visual meio "HQ" de algumas cenas deixa claro que é uma ficção, e que não quer tentar ser realista, mas que também não vai se perder no absurdo. Veremos no futuro o que a série reserva...




Fazer comédia inteligente é mais difícil do que parece. Num mundo de sitcoms e exageros, até um drama irônico faz rir mais do que muitas comédias por ai. Mas então vem Younger, e, com uma temática original, consegue fazer rir sem qualquer esforço. Uma série tão simples em conceito, mas que abre um leque tão grande de situações que poderia durar por anos sem perder a essência. Trazendo de volta uma das queridinhas do público, Hilary Duff, e introduzindo Sutton Foster (a Fiona, de Shrek The Musical). Younger é com certeza a comédia com a qual estou mais animado.

A série conta a história de Liza, uma mulher de quarenta anos, mãe, divorciada, e que simplesmente não consegue encontrar empregos para pessoas de sua idade. Depois do elogio de um cara que ela conhece num bar, ela e sua amiga Maggie decidem que, para conseguir um emprego num mundo jovem, você tem que ser jovem também. Liza muda totalmente seu visual, se atualiza sobre o mundo e assume uma nova idade: 26 anos! Como diz o slogan da série, "só é mentira se descobrirem a verdade".

Younger é o típo de série que vicia completamente pela qualidade do roteiro e pelo carisma dos personagens. Até o momento, eu ja vi os dois episódios da estreia, e eles fornecem a mesma sensação gostosa de assistir sem preocupações. Ao mesmo tempo que vemos Liza sofrendo pra fazer coisas do nosso dia a dia, como criar uma conta no Twitter, vemos ela abraçando totalmente a sua nova juventude adquirida e sua nova chance de mostrar seu valor. Tem tanto espaço para crescer que eu mal posso esperar pelo próximo episódio essa semana. Comece a assistir o quanto antes!

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